28.11.06

e é por isso que ela me enrola mó tempão. é do mesmo jeito que constrói seus baseados, devagazinho, sacoé?, ela fica com os dedinhos esfregando as pontas uns dos outros, parecendo que conta dinheiro, o olho meio aberto, meio fechado, a língua na pontinha da beiço, uma frestinha de dente aparecendo em cima, parecendo que já tá sentindo antes as clarezas no pensamento. é, ela diz que ficava tudo assim, brancão... velho fumando é foda, né não? mas ela sabe que ficar comigo é bom, que dá onda, desmancha o cerebelo, essas paradas aí. só que ela não tem como guardar meu resto dentro duma caixinha de olhão. eu não sou bagana não, mermão. e nem quero ficar sendo tragado pra ir lá, me juntar àquela porra de incenso. fumaça bagaray. pior é ela ainda tem aquela mania do incenso mesmo sem o bagulho por perto. porra, eu não suporto incenso. invenção de hare krishna. aqueles merdas me enchem o saco com aquele papo de não comer carne. eles repetem uns troços doidos sem parar, maluco. aí, quando eu fui ser pizzaiolo lá em miami, não, foi em miami mermo, na califórnia eu era lutador, lá tinha uns que davam umas rosinhas e tals. e eu detesto flor. coisa sem graça. me faz lembrar um amigo de colégio que morreu, o único cara que eu me amarrei de verdade. é... eu comecei a não gostar dessas paradas de rosas e tal, antes dos hare krishnas, e isso de ódio destes caras acho que veio meio porque eu não gosto de flor, sabe? porra, aquele puto indiano chega nos estados unidos, é , o cara que inventou essa religião aí veio da índia, pra espalhar essa palhaçada. aí, eles querem matar é todo mundo de câncer, viu? depois do fim, só sobrarão as baratas, os hare e as vacas não comidas. e a gente morre tudo, cara. um camarada lá da academia que leu isso numa revista aí e me contou. eu acredito nessas paradas, sabia? disse que até aquele beatle morreu de doença no pulmão, eu não falo esse nome não, é, é isso aí mermo, porque cheirava incenso o dia inteiro... e eu ainda acho que hare é tudo tchola, maluco. porra, vou te falar, eu tô é de saco cheio. tem mais de um ano que eu tô pedindo a porra do carro pra ela, e a merda da velha diz que não, que é pra eu esperar, que o marido dela ainda respira bem sem o balão e coisa e tal. mas a porra do péla-saco não fala, não enxerga. pois é, também acho que ele não deve escutar. e aí, nem vai ouvir eu saindo e chegando naquela máquina maneira. aí, eu mandava logo um sonzão na traseira, sacoé? a velha é foda, cara, fica ensebando. só no mês passado, olha só o quanto que eu tive de aturar daquela buceta murcha, mais de um ano!, que ela foi me dar a escritura do terreno de itacuruçá. aí, fiz mó festão lá, mermão. a galera toda da academia. rolou de tudo à vera, mó putaria, tu perdeu. mas , porra, tive de suar, cara. pra caralho. tomei até viagra estes tempos todos aí. e ela tava com uma parada de sexo sânscrito, lerda pra caralho. velho acaba achando coisas pra substituir os lápis de cor das crianças, né não? porque velho vira bebêzinho, maluco. ela ficava de nhé-nhé-nhézinho, me chamando de papaizinho e o caralho. papaizinho é o cu dela, porra. vê lá se eu tenho cara de pai de velha? e a merda é que eu tinha de ficar pensando em um monte de horrores pra não me desconcentrar, ficava imaginando que eu tava engolindo uma colherzinha de café e que ficava engasgado, que tinha descido a escada da piscina, que tinha escorregado e quebrado o pescoço e que morria afogado. porque ela ficava lá, segurando as pernas, gemendo línguas diferentes. porra, segurar a tora é foda, né não? caralho, ainda bem que tem o viagra, maluco. não, ela não sabe, claro, mas é que também eu não tava dando conta das duas. quer dizer, das três, né? maneiro é que a filha dela me chama de muene. diz que quer dizer meu dono, meu rei, meu pai, sei lá,em dialeto africano. ela lê pra caralho. sabe uma porrada de versos e fala trechos inteiros de livros que eu não entendo nada, mas que ela diz que é português. fica falando numas paradas de muzequis, umas favelas quem tem lá em áfrica. ela fala em áfrica. maneiro. mas eu gosto de ouvir tudo, porque enquanto ela fala, fica mexendo no meu pau. diz que é bom pra exercitar a lipído. lipído é meu pau, mermão. aí, elas são meio malucas, tendeu? comecei a comer ela assim, do nada. antes a gente era amigão mesmo? mó filé, aí. só que ela anda meio bolada comigo. cismou que eu tinha de pegar ela e a namorada. porque a namorada tá meio desconfiada e que seria melhor rolar uma parada pra deschavar. eu não pego não. mulher demais. foda-se. quem manda não ter pau? e aquela namorada é muito cheia de marra. anda toda empinada, parece uma cavala marchando. me olha de cima em baixo só porque mora em botafogo agora. também, sendo bancada né? tá se lambuzando. e a filhadaputa nasceu lá em barros filho, mermão. e fica dando uma de fina agora. ela não me topa não. deve ser porque ela sabe que o que eu quero é o mesmo que ela quer. mas eu fico na minha, vai sobrar pra todo mundo. aí, vou chegar. vou passar lá na casa do marlon. ele falou que tem uma parada lá pra mim. porra, o cara tá mandando 130 num braço só. e isso em duas semanas de bola. outro dia o mané correu mel pelo nariz, mó prego, tá exagerando. mas que ele tá com a bundinha cada vez mais bonitinha, isso tá. é. é aquele mermo. aquele pleiba jungle boy, corpo de tarzan, cabeça de chita e voz de jane. mó mulézinha, mermão. mas aí, cara de responsa, faz um bola-gato maneiro. tá fortão. aí, mais tarde lá na sauna? valeu. valeu, leki. vou ralar peito. té mais.

27.11.06

mário cesariny é lisboeta e nasceu sob os auspícios do signo de leão, em agosto de 1923. mário é pintor, escritor, poeta, ensaísta e principal representante do surrealismo português.

tendo conhecido andré breton durante sua estada em paris no ano de 1947, por influência deste agrega-se a alexandre o'neill e antônio pedro - dentre outros irmanados às suas experimentações, e da mesma forma discordantes ao neo-realismo e também ao regime político vigente - no "grupo surrealista de lisboa". mais tarde, por não concordar com a postura ideológica deste grupo, fundou o anti-grupo "os dissidentes".

no amanhecer de suas letras surrealistas, suas principais influências são cesário verde e álvaro de campos, o heterônimo futurista de fernando pessoa.

mário cesariny morreu hoje na sua lisboa e o breviário está triste. sem al berto, e agora também sem mário, descaradamente clichezamos, ficamos todos um pouco mais órfãos.



25.11.06
dos tempos, dos sorrisos e das moças


para marcela - compondo com tarsila do amaral

para michele - compondo com salvador dali

para patrícia - compondo com paul cèzanne

para mônica. sempre. - compondo com claude monet
23.11.06

mímica lida



cã c. hey! de c. arbusto.

21.11.06
eu sou um cão aclimatado.
eu sou um cão perdendo pêlos porque é verão.
eu sou um cão envelhecendo.
[mas que ainda enxerga olhos azuis os humanos]
eu sou um cão parado à sombra.
eu sou um cão husky siberiano.

[vim terra tropical dna's anteriores por demais
para alcançar lenin-stalin-maiakovski]

eu sou um cão que focinha carinhos.
eu sou um cão enrosco edredon abaixo.
[lembrem-se: eu sou um cão aclimatado.]

eu sou um cão sedento espaço-grama-vento.
eu sou um cão que gane murmúrios noturnos.
eu sou um cão que uiva olhos calados.
eu sou um cão.
um cão de minha estimação.
havia uma poça de sangue
coagulado no chão.

e uma estalactite de ódios
acima dela.
19.11.06
_já pensaste num fotolog?
_nunca pensei nisso. como é isso?
_lugar onde se publicam fotos.
_vivas?
_as pessoas?
_e também as fotos.
_nisso, nunca pensei. como é isso?
18.11.06

zetho gonçalves, angolano, radicado em lisboa. feliz. cheios de palavras. de opiniões. de língua. encharcado de terra macia, de vento cantante, de métodos de paixões. o zetho gonçalves é poeta. e escreve assim:

"Terra? As queimadas da infância,/ as velhas árvores ardendo,/ castiçais na noite."

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"Música? Lembra-me uma coisa/ muito antiga, onde ninguém toca,/ com receio de quebrar o encanto do ar."


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OS OMBROS MODULAM O VENTO

Entristece
a tua tristeza __ e canta
(os ombros modulam o vento
modulam a noite
a soberana voz
dos horizontes)

entristece
a tua tristeza
__ e canta



in: A Palavra Exuberante, Parceria A. M. Pereira, Lisboa - 2004
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estivemos com o zetho na livraria do paço, e eis que o nobre bardo me exuberou de paixões continente outro a. de áfrica. e me fez detentora letra viva da sua palavra.

o poeta está no brasil lançando seu livro "debaixo do arco íris não passa ninguém". com ilustrações de roberto chichorro, o livro integra a coleção "mama áfrica", da editora língua viva, especializada em literatura lusófona. a coleção "mama áfrica" intenta resgatar contos africanos trabalhados pela nova geração de escritores do continente. é a conjunção da tradição à modernidade, da arte à literatura. "debaixo do arco íris" é melódico, imagético, encantador. eu recomendo. a você e aos meninos tudo deste mundão língua portuguesa.



e vamos às fotos do nosso encontro: de c. a z.

17.11.06


15.11.06

quanto maior a queda, maior é o tombo, ela dizia, pervertendo todo o sentido do ditado ancestral. teatralizava provérbios e punha entonações na sílabas erradas ao fazer seus pedidos salivantes em bistrôs decadentes. pedia sem jamais ousar experimentar. ela, a alegria dos cozinheiros. sentava-se sobre um dos joelhos. pendulava a perna livre com certa energia represada: esquerda, direita, frente; esquerda, direita, frente; carrossel de sardas. cara lavada, observava o mar espalhando sal nas areias viróticas de ipanema, como quem chupa um sorvete: movimentos compassados longitudinais com a língua e pontas dos dedos elevadas. encontravámo-nos sempre naquele espaço de tempo: entre uma chegada de 457 e a saída de um 456. e, depois de acenos de cabeça trocados, feito paulo coelho, eu terminava acabando por subir no ônibus com meu destino pra sempre ignorado, enquanto ela continuava ali: estática a engolir vento.

mastigava as casquinhas das ostras, enjoava-lhe a consistência molenga esbranquiçada que espraiava-se resto de mar concha afora: cuspia-as prato adentro. costumava dizer que não nascera para comer maresia, e que o bom mesmo era rasgar as gengivas: o sangue temperava-lhe o paladar. mas sabemos que aquelas ostras eram fakes: um inquilino nunca pode ser maior que sua casa. seria como colocar meias de molho num dedal.

14.11.06
13.11.06

breviário correndo mundo


12.11.06


o quasar [1972] - augusto de campos

ouça aqui.
8.11.06

breviário de c. no barteliê!


10 de novembro de primavera 2006!!

nesta sexta, teremos o prazer inenarrável de lançar no movimento inVerso , o nosso breviário de c. em plagas ipanemenses!

com a produção cultural da clauky, estarão conosco, as revistas bagatelas! & jukebox e a estréia do grupo massa, parceiros musicoetas que apresentarão repertório de composições próprias no melhor estilo da MPB. além, claro, de números especialíssimos dos SabaSauers.

com o palco aberto para todos, a boca é livre para a poesia!

o barteliê fica na rua vinícius de moraes, 190 - apto 03 - esquina com a nascimento silva.

não perca: rolará sorteio de exemplares, ulalá! e a entrada custa só 5 reais!

abraços muitos e até lá!


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breviário correndo mundo!


e no domingo, 5 de novembro, o breviário de c. baixou em ipanema. confira as intervenções!








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olhe para a cam. diga "xis!". clique! em breve, você no breviário!
6.11.06
lançamentos vários. confira.



e



vais perder? eu não vou! eu vou!

liter.atura!

[e aguarde revelação das chapas das novas intervenções do breviário em ipanema.]

4.11.06

deu na folha de são paulo:

Escritor francês anuncia poema mais longo do mundo

Um escritor francês de 30 anos, Patrick Huet, anunciou nesta sexta-feira ter criado o poema mais extenso do mundo, com 994,10 metros. Intitulado "Parcelas de Esperança no Eco deste Mundo", o poema foi levado para exposição com a ajuda de um trator. Sua extensão foi medida ao longo de uma pista.

"Trata-se de um poema acróstico sobre a declaração universal dos direitos humanos. As primeiras letras de cada verso constituem as palavras dos 30 artigos desse documento", declarou Huet, que pretende enviar sua obra à editora do livro Guinness de recordes mundiais.

Com um peso de 110 kg, o poema é constituído por 7.547 versos, compostos durante dez horas diárias de trabalho no período de um mês e meio. Seu rascunho ocupou seis blocos de notas. O poeta utilizou 160 canetas esferográficas."


hum, hum. mas será que é bom?

3.11.06

e hoje inauguramos a seção "breviário correndo mundo ". o que é? ah, intervenções feitas na noite, manhã, ou tarde carioca, paulistana, madrilenha, cingapurense e afins , onde ilustres leitores travarão contato com o breviário e terão suas sensações registratadas "fototivamente". te atenta porque em breve poderemos estar ao lado teu!



nesta quinta/sexta estivemos no bar da praia, na praia do flamengo! lá no catete, o breviário aportou catete grill. é o breviário de c. cheio de amigos! obrigada, pessoals!










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valter hugo mãe, escritor angolano radicado em portugal, autor dos romances o nosso reino e o remorso de baltazar serapião, além de poeta e editor, o rapaz por quem nos derretemos estará neste sábado, 04/11, inaugurando sua exposição de desenhos "o rosto de gregor samsa, naïve e nítido". lá na na galeria símbolo, no porto, portugal. aceito doações para a passagem. mas que seja urgente, hoje já é dia 3. ok, tudo bem. eu vou de imaginação mesmo.





ilustração de vhm




2.11.06

hoje a estréia de novo menu com curtas selecionados por este breviário. evidentemente, o inaugurante não poderia deixar de ser um que versasse sobre o botequim, a casa nossa. para assistir, clique no curtas, menu ao lado.

sobre o curta, o papo de botequim foi dirigido pelo allan ribeiro e produzido em 2004. e, se muito não me engano, conheço alguns dos bares ali exibidos. um deles, tenho certeza, é no catete. outro, puxo pela memória a cor daquelas paredes e pá, lembrei!: praça varnhagem, tijuca. mas nem é tãããão botequim assim... e quem não freqüenta, putz não sabe mesmo o que está perdendo. abandone seus pudores e tudo aquilo que mamãe te ensinou um dia e visite um botequim. é o que há. dicas cariocas? lá vai:

o da dona maria, rua augusto severo, lapa.
o da dona maria - é outra -, rua dois de dezembro, largo do machado.
o do preguiça, rua graubem barbosa, méier.

tem mais uma pá deles. só que a ressaca alta não me ajuda nos lembramentos. conforme eles forem baixando eu vou dizendo.

pensando bem, ou tá faltando bar no rio de janeiro, ou ando bebendo demais...

update de post:

agora sabemos que estavámos certas desde o início! é no jato bar - catete mesmo - o desenrolar quase que da totalidade do curta. "mas outros bares em vila isabel, engenho novo e catumbi, contribuíram bastante, disse o allan ribeiro em mensagem super simpática.

obrigada allan e, uma vez mais, parabéns pelo filme.

1.11.06

e c. hoje esteve na rádio mec com a alessandra eckstein, no programa boa tarde mec. espaço bacanérrimo, programa relevante mesmo. o interessante é o programa de hoje, quarta-feira, tomou uma linha literária, com entrevistas da eliane, da casa de leitura, e do joão falcão. desmis-mi-tifiquemos a literatura! ler é bão e a galera gosta!

o breviário agradece pelo espaço radiofônico sideral. pra caramba e à beça!

liter.atura!


quer ouvir? clique aqui!
quer ler/ter? clique e você recebe pelo correio livre de despesas postais!

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e sexta-feira o breviário de c. estará na lona cultural de realengo com o patu fu.

[update com mudanças de planos]

e neste sábado o breviário de c. estará na lona cultural joão bosco em vista alegre. vale muito-muito-muito à pena ir lá para conferir a perfomance do john ulhoa e da fernandinha takai, meninos ótimos que, mui gentilmente, cederam os versos da canção sobre o tempo para uso no breviário de c.. nos veremos lá, né? é!

no sábado, 28/10, o breviário esteve com as pessoas bacanas da bagatelas! na casa de cultura da real grandeza - uau, que chique isso! teve o rogério, o flávio, o vidal, o douglas, a clauky, todo mundo lendo. e, depois de tanta literatura, rolou um plebeu. breviário foi voar mundo botafogo.

dia 10, o brevi - estamos íntimos, ligue não - aporta ipanema, barteliê, vinícius de moraes com nascimento silva. baratinho, 5 pratas. e sem nem precisar de carteirinha.

é liter.atura!!

 

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